Alexandra Fine foi uma das presenças na Web Summit, onde participou num painel sobre a tecnologia no sexo, onde foi abordado o uso de apetrechos tecnológicos, dirigidos à sexualidade feminina como forma de dar mais poder à mulher e também os constrangimentos nesta área.

De acordo com a Forbes, o lançamento dos dois primeiros 'brinquedos' da Dame Products "bateu os recordes de 'crowdfunding'", com a Eva, um vibrador feminino 'handsfree' [mãos livres] "a ser o brinquedo sexual mais bem-sucedido na história em termos de campanha de 'crowdfunding'".
Alexandra Fine, que é sexóloga, contou à Lusa como tudo começou e admitiu vir a comercializar os seus produtos em Portugal.
"A Dame Products começou há cinco anos, eu queria criar uma linha de brinquedos sexuais" que a mulher pudesse usar durante o ato sexual com o parceiro e que combatesse a falta de prazer no sexo.
"Os estudos apontam que as mulheres afirmam quatro vezes mais do que os homens que o sexo não lhes deu prazer no último ano", prosseguiu Alexandra Fine, salientando que a ideia era criar algo que 'resolvesse' a falta de prazer nas relações.
"Queria criar um produto dirigido a mulheres com vulva e que lhes permitisse ter prazer" e assim nasceu Eva, "que permite o controlo da estimulação", apontou.
Entre esta ideia e encontrar a parceira certa para o negócio durou cerca de sete meses, quando a vida de Alexandra Fine se cruzou com Janet Lieberman, engenheira mecânica do MIT, que também queria arrancar com um projeto semelhante.
Daí foi um passo e seis meses depois conseguiram angariar "675 mil dólares [589 mil euros, à taxa de câmbio atual] em 45 dias" e obter "6 mil pré-encomendas", acrescentou a cofundadora.
"Foi um sucesso tão grande: passamos de uma ideia tonta para a concretização real de uma empresa", prosseguiu, salientando que o envio das encomendas começou a ser feito em fevereiro/março de 2015.
A Dame Products conseguiu ainda que a Kickstarter, considerada uma das maiores plataformas de financiamento de projetos criativos mudasse a sua política interna e aceitasse a empresa. Primeiro foram rejeitadas, depois acabaram por entrar na plataforma e angariaram cerca de meio milhão de dólares em 30 dias.
"Vendemos os nossos produtos", neste momento três, "nos Estados Unidos, Austrália e em alguns países na Europa", disse Alexandra Fine.
Questionada sobre se gostaria de comercializar os seus 'brinquedos' no mercado português, a empreendedora afirmou: "Sim".
Mas para isso, disse, vai ter de encontrar distribuidores.
Até à data, a Dame Products já vendeu "mais de 100 mil" vibradores femininos e o ritmo do crescimento "está a dobrar ano para ano".
No entanto, ainda "temos imensos desafios", um deles é regulatório e tem a ver com o facto de os 'brinquedos sexuais' não poderem ser alvo de publicidade no Facebook, Instagram, Twitter, entre outros.
"É um brinquedo e uma ferramenta que uma mulher pode usar para se sentir melhor consigo, não há nada imoral nisso, não estamos a vender armas. Acho que o que está inerente é que a feminilidade sexual é assustadora para o homem e essa é a questão", rematou.
Alexandra Fine defende que a tecnologia pode ser humanizada e exemplo disso é a Dame Products, que visa criar produtos destinados a serem utilizados com o parceiro e acrescentam "um extra" à relação.
"A tecnologia permite fazer ferramentas melhores e adaptadas" às pessoas e isso é uma vantagem, considerou.
A presença este ano na Web Summit foi positiva, uma vez que demonstra que as pessoas "começam a perceber o valor" da Dame Products, "porque cria valor".
Além disso, "estar aqui [na Web Summit] é validar o negócio" e torna-o "mais credível".
Questionada sobre quais os obstáculos que sente sendo mulher nesta área de negócio, Alexandra Fine destacou que o movimento #Metoo veio mudar muita coisa, mas muito mais há ainda para fazer.
Depois do #Metoo "duas coisas aconteceram", disse. Por um lado, surgiram investidores interessados na empresa por se falar "de forma honesta sobre o sexo".
Por outro, houve quem dissesse "que não se pode falar de sexo no lugar de trabalho" e encerrasse a conversa.
"Quando não falamos de sexo deixamos a sexualidade no beco, que é onde acontece. Se só for permitido falar dentro de portas, o que acontece dentro de portas" continuará no silêncio, alertou.
 

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