Joaquín "El Chapo" Guzmán após ser capturado no início de 2016
Henry Romero / Reuters / 8.1.2016






Um dia após contar como o ciúme do traficante mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán ajudou a criar uma porta para o FBI monitorar todas as comunicações do cartel de Sinaloa , o colombiano Cristián Rodriguez voltou a depôr no julgamento do chefão, nesta quinta-feira (10).

Ele contou aos jurados como ajudou o FBI a localizar Chapo, utilizando as funções de GPS do celular do traficante. Também explicou como criou um sistema que gravava todas as ligações dos telefones rastreados , para gerar provas contra os homens do cartel.

Leia mais: As mil vidas de 'El Chapo', o traficante mais famoso do México

Rodríguez também afirmou que Guzmán tinha pedidos estranhos. Além de monitorar a esposa e as duas amantes, uma vez ele pediu para o técnico ajudar a interceptar todas as mensagens que fossem enviadas de lan houses em Culiacán, cidade próxima ao refúgio de Chapo, no estado de Sinaloa.

Não funcionou. Dias depois, o exército mexicano invadiu Culiacán. Rodríguez fugiu com Chapo para as montanhas, onde permaneceram em fuga durante três dias, enquanto os militares os perseguiam.

Mudando de lado

Segundo o colombiano, o FBI entrou em contato com ele pela primeira vez em fevereiro de 2011 e fechou um acordo para ele ser informante. Pelo trabalho, ele recebeu US$ 480 mil (R$ 1,78 milhão) e pôde ficar com US$ 500 mil (R$ 1,8 milhão) que recebeu de Chapo.



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Rodríguez alterou as configurações da rede encriptada usada pelo cartel de Sinaloa e, com isso, todas as chamadas eram copiadas para servidores acessados pelo FBI. Ele, pessoalmente, separava as ligações feitas ou recebidas por Chapo, e as enviava aos agentes.

Durante uma dessas ligações, ele percebeu que seus chefes sabiam que ele era um traidor e, com isso, fugiu para os EUA. Ele chegou a sofrer um colapso nervoso e precisou ficar internado. 

Em 2012, ele foi enviado ao México para ajudar a monitorar os movimentos de Chapo. Dessa maneira, ele ajudou o FBI a organizar a operação que quase capturou Chapo em uma casa de luxo.

"Braço direito e esquerdo"

Durante a tarde, quem depôs na corte federal do Brooklyn, em Nova York, foi outro colombiano. Alex Cifuentes é irmão de Jorge Cifuentes, que testemunhou em dezembro e é um dos líderes do cartel do Norte do Vale, do megatraficante Juan Carlos Abadía.

Alex era o principal contato dos colombianos com Chapo e passou vários anos no esconderijo do chefão nas montanhas de Sinaloa. "Ele me descrevia como seu secretário, seu braço direito e braço esquerdo também", disse Cifuentes nesta quinta.

Ele contou que conheceu Guzmán em 2002, quando foi enviado ao México para negociar um carregamento de 5 toneladas de cocaína que seriam enviadas por barco para o México. Anos depois, quando apresentou o melhor fabricante da droga para o chefão, se tornou seu principal auxiliar.

Cifuentes era responsável por operações do cartel na Colômbia, Equador, Bolívia e Panamá. Na Costa Rica e em Honduras, comprou fazendas que serviam para armazenar a droga antes de ser despachada ao México. Também comprava armas e equipamentos.

E foi apenas o começo. Ele voltará a testemunhar na próxima segunda-feira (14), quando o julgamento será retomado.

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