Tapeçarias, peças em cerâmica, barro e vidro, pinturas, manuscritos e outros "valiosos objetos", colecionados por Calouste Sarkis Gulbenkian, "viajam pela história da arte islâmica desde o século XVIII", explicou a curadora Jessica Hallett, na apresentação à imprensa.
A diretora do Museu Calouste Gulbenkian, Penelope Curtis, na introdução à visita guiada, falou também da "ideia inicial" da curadora, que disse ter sido "muito bem conseguida": "Produzir uma coleção de arte islâmica do século XX, para dar a perceber a importância do Médio Oriente, uma região muito frágil e sensível, na vida atual".
O tapete de seda "mais importante em exposição", com mais de mil milhões de nós, representativo de cenas de combate entre animais, foi uma das peças mais cobiçadas por Gulbenkian, que tentou comprar um exemplar semelhante ao que se perdeu na II Guerra Mundial.
"No mundo, apenas existem 16 exemplares, sendo que dois estão em Portugal: aqui e no Museu Machado de Castro", em Coimbra, explicou a curadora.
A ligação à área petrolífera, como homem de negócios, está em destaque através de uma coleção de manuscritos, de 200 peças, colecionadas em apenas cinco anos, "que mostra a paixão de Gulbenkian para a arte do livro de histórias do petróleo".
Um mapa interativo representativo das fronteiras do Medio Oriente, desde 1869, ano de nascimento do fundador, expõe as diversas influências políticas, proveniente de outros países, no território.
Garrafas de vidro, inspiradas na arte europeia e provenientes diretamente do Irão, "colecionavam e guardavam as lágrimas das esposas dos homens que iam para a guerra", conta a curadora.
A exposição termina com um dos 'objetos em destaque', um vaso de vidro esmaltado, cujos pássaros e paisagens desenhados representam a "lenda dos 30 pássaros".
"Depois de uma longa viagem à procura do rei para a escolha de um novo líder, e depois de terem desistido muitos elementos do bando, os 30 pássaros chegam ao destino, sem encontrarem o rei, e deparam-se com os seus reflexos num lago, simbolizando que 'o líder' está dentro de cada um deles", conta a curadora.
Desenvolvida no âmbito da celebração dos 150 anos do nascimento do colecionador arménio Calouste Gulbenkian, esta exposição reúne um conjunto de obras-primas do núcleo de arte e de outras coleções internacionais, como a do Museu do Louvre, em Paris, do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, e do Victoria and Albert Museum, em Londres.
Além de colecionador de arte, Calouste Sarkis Gulbenkian foi também filantropo e diplomata, fixando-se em Lisboa, como refúgio da II Guerra Mundial.
Nascido em 23 de março de 1869, em Istambul, a então Constantinopla, Gulbenkian morreu em 20 de julho de 1955, em Lisboa.
A região do Médio Oriente ocupou um lugar central no seu percurso profissional e esta exposição lança um novo olhar sobre a sua coleção, à luz da situação geopolítica em que as obras foram adquiridas: o declínio do Império Otomano, o colonialismo e as duas Guerras Mundiais.
"O Gosto pela Arte Islâmica" estará patente ao público até ao dia 7 de outubro, na galeria principal do museu da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
 

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