"Foi uma decisão ousada e arriscada por parte de Merkel, que mostra bem que ela ainda está pronta para assumir o controlo e tomar as decisões necessárias", refere, em declarações à Lusa, Ulrich von Alemann, comentando a nomeação de AKK para a pasta da defesa.
A líder da CDU, desde dezembro de 2018, tomou posse na quarta-feira, e substitui Ursula von der Leyen, que ocupou o cargo durante cinco anos, passando agora a presidir a Comissão Europeia.
AKK, que terá, entre outras, a difícil tarefa de reorganizar as forças armadas do país (Bundeswehr) está a ser acusada de não ter qualquer experiência na área da defesa.
"Alguns dos seus antecessores também não tinham experiência militar. Mas, tendo em conta o número de cargos que ela já teve, diria que tem um perfil generalista, mas obviamente não de um general", considera o analista político alemão.
Durante os últimos meses, AKK tinha repetido não ter interesse em chefiar um ministério, já que "há muito a ser feito na CDU". A decisão da chanceler surpreendeu analistas, jornalistas e a própria coligação, que esperava a nomeação de Jens Spahn.
O atual ministro da saúde, que também foi candidato à liderança dos democratas-cristãos, era apontado como o favorito para o cargo.
"Ninguém esperava esta decisão", comenta o professor emérito da Universidade Heinrich-Heine de Dusseldorf (HHU), lembrando que o anúncio foi feito pouco depois do afastamento de von der Leyen. Merkel tinha sublinhado que iria ocorrer uma "substituição muito rápida".
A nova posição de AKK é uma das mais complexas e indesejadas do governo alemão. Muitos dizem que foi a passagem pela defesa que manchou o currículo de Ursula von der Leyen.
Será que a antiga líder do governo do Sarre vai ganhar ou perder com esta mudança? "É uma resposta em aberto", admite Ulrich von Alemann.
"Ela argumenta que foi primeira-ministra, mas isso aconteceu numa pequeníssima parte da Alemanha, onde vivem 1 milhão de habitantes. Na Alemanha, o Ministério da Defesa é apelidado 'Schleudersitz' (assento ejetável), e pouquíssimos sobreviveram a essa posição política. Ainda por cima disse que não aceitaria um lugar no governo, e agora fê-lo", explica.
A liderança de AKK à frente da CDU tem sido contestada dentro e fora do partido, com maus resultados eleitorais e um decréscimo da popularidade.
Uma sondagem recente mostrou que 70% dos alemães não acreditam que Kramp-Karrenbauer tenha capacidade para assumir o cargo de chanceler.
"A sua popularidade é tão baixa que são necessárias novas medidas. Talvez não houvesse escolha a não ser contar uma história nova e surpreendente sobre AKK. Há uma chance, mas também existem vários riscos. Ela não tem experiência em questões de defesa e segurança externa, por isso vamos ver como desempenha estas novas funções", refere o politólogo alemão.
"À primeira vista, no exército, havia uma sensação de que qualquer coisa é melhor que a senhora von der Leyen. No entanto, muitos militares davam preferência a um verdadeiro especialista em defesa, alguns deles com assento no parlamento alemão", remata Ulrich von Alemann.
Kramp-Karrenbauer, com 56 anos, tomou posse na quarta-feira, numa cerimónia com a sua antecessora, Ursula von der Leyen e com a chefe do governo, Angela Merkel. É a primeira vez que AKK assume a liderança de um ministério.
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