Líder da oposição e autoproclamado presidente venezuelano disse que enviará delegação à Assembleia Geral da ONU para denunciar suposto apoio de Maduro a ex-rebeldes das FARC. Também nesta quarta, governo de Maduro pediu aos EUA que restabeleçam laços diplomáticos. O secretário-geral da ONU, António Guterres,descartou nesta quarta-feira (28) se reunir com o líder da oposição venezuelana Juan Guaidó durante a Assembleia Geral da próxima semana.
"Não, isso não está nos meus planos", disse o secretário-geral ao ser perguntado sobre um eventual encontro com Guaidó.
Ele acrescentou, contudo, que a ONU mantém "contato regular" com oposição venezuelana e garantiu que a ONU não promoverá negociações entre Guaidó e o presidente Nicolás Maduro.
Guterrez, entretanto, expressou a esperança de uma retomada do diálogo entre o governo e a oposição patrocinada pela Noruega, que falhou no mês passado.
Maduro não pretende viajar para Nova York para a Assembleia Geral, mas seu governo quer apresentar um documento com assinaturas de venezuelanos para denunciar as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.
Autoridades dos EUA e líderes da oposição já atacaram a petição e acusaram o governo de Maduro de ameaçar bloquear a ajuda alimentar aos venezuelanos que não assinarem o documento.
Guaidó disse que enviará uma delegação à Assembleia Geral da ONU para denunciar o suposto apoio de Maduro aos ex-rebeldes das FARC na vizinha Colômbia.
"Vou usar esta cúpula para conversar sobretudo com Venezuela e Colômbia, porque acho muito importante evitar uma escalada de conflitos na região", disse Guterres.
Laços diplomáticos
Também nesta quarta-feira o governo de Nicolás Maduro pediu aos Estados Unidos que restabeleçam os laços diplomáticos, depois de iniciar um diálogo com a parte minoritária da oposição venezuelana.
"A única coisa que esperamos do governo dos Estados Unidos é ter uma sintonia, recuperar canais diplomáticos e dialogar com o governo" de Maduro, disse a vice-presidente Delcy Rodríguez a repórteres.
A Venezuela rompeu relações com os Estados Unidos no dia 23 de janeiro, depois que o presidente desse país, Donald Trump, validou a autoproclamação do líder opositor Juan Guaidó como presidente interino.
Segundo a vice-presidente venezuelana, Washington tem "somente um caminho: a negociação e a comunicação diplomática", ao ter "fracassado em seus projetos" para expulsar Maduro do poder.
Rodríguez defendeu as negociações empreendidas na última segunda-feira com um grupo de partidos minoritários da oposição, a que se somou nesta quarta-feira o pastor evangélico e ex-candidato presidencial Javier Bertucci.
O diálogo foi iniciado com um acordo que prevê a eleição de novas autoridades eleitorais, a libertação de opositores - como aconteceu na terça-feira com o vice-presidente do Parlamento, Edgar Zambrano - e a busca de uma troca de petróleo por alimentos, medicamentos e serviços.
Também levou ao retorno do bloco governista à Assembleia legislativa - de maioria opositora -, da qual se retirou em 2016.
Zambrano anunciou que em breve serão libertados pelo menos 58 opositores, sem detalhar seus nomes.
O pacto com a minoria opositora foi assinado um dia depois que Guaidó declarou ter "esgotado" o diálogo com representantes de Maduro.
Stalin González, o segundo vice-presidente do Congresso, considerou nesta quarta-feira que esse acordo contribui para que Maduro - apoiado pela Força Armada, Rússia, China e Cuba - "se agarre mais ao poder".

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