Netanyahu e Gantz admitem governo de unidade, mas não abrem mão do cargo de premiê. Benny Gantz, ex-comandante do exército e líder do partido centrista Azul e Branco, e Benjamin Netanyahu, líder do Likud
Emmanuel Dunand/ Menahem Kahana / AFP
Benjamin Netanyahu e Benny Gantz concordam com um governo de unidade em Israel, mas ambos não abrem mão do cargo de primeiro-ministro. Com o panorama eleitoral mais claro, é possível vislumbrar um emaranhado de possibilidades no complicado xadrez político do país, mas chances restritas de chegar à equação final que assegure a cada bloco uma maioria de 61 cadeiras no Parlamento.
Na contagem final dos votos, o Azul e Branco obteve 33 assentos, dois a mais do que o Likud. O bloco de direita e religioso liderado por Netanyahu soma 55 cadeiras. O centrista de Benny Gantz, com partidos de esquerda, tem 44, embora com mais condições de coligar-se aos nacionalistas ou aos árabes.
Pressionado pela audiência na Justiça em duas semanas, que definirá se ele será acusado em três processos de corrupção, o premiê tem pressa. Por isso, tomou a dianteira, gravou um pronunciamento pela TV, convidando Gantz a juntar-se a ele numa coalizão.
"Eu apelo a você, Benny, vamos nos encontrar hoje, a qualquer hora, a qualquer momento, para iniciar esse processo."
Netanyahu pode tentar convencer o presidente Reuven Rivlin que lidera um grande partido de 55 deputados e, portanto, deve ser o premiê. Acena até com a possibilidade de repetir, com Gantz, a fórmula praticada há três décadas, quando o líder da esquerda Shimon Peres e o conservador Ytizhak Shamir fizeram um pacto e alternaram o poder durante quatro anos de governo.
O líder do Azul e Branco, contudo, rejeitou a oferta e acusou a manobra do premiê: conversa, sim, mas desde que ele, Gantz, seja o premiê. “Esta negociação vai exigir paciência e a defesa de nossos princípios. Não haverá atalhos”, respondeu.
Por enquanto, nenhum dos dois fez qualquer gesto na direção do outro. Outros atores entraram em cena. Avigdor Lieberman, líder do Israel Nossa Casa, criticou Netanyahu por condicionar o governo de unidade à inclusão de partidos ultraortodoxos.
Com oito cadeiras, Lieberman defende um governo secular formado por seu partido, Azul e Branco e Likud, sem a participação de religiosos e com Gantz na liderança.
Contudo, o grupo liderado por Gantz e Lieberman fica aquém do número mágico de 61 cadeiras. Isso seria possível com a inclusão da Lista Conjunta, formada por quatro partidos árabes, que deverá somar 13 cadeiras.
O bloco árabe até admite vir a negociar com Gantz, mas sua entrada numa coalizão inviabiliza a participação do Israel Nossa Casa, de Lieberman: como água e azeite, não se misturam. Até que se forme um novo governo, os israelenses terão que se acostumar a esse espetáculo diário de danças das cadeiras.

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