Liberais e conservadores têm entre 31% e 32% das preferências, de acordo com as últimas pesquisas, o que não lhes permitiria alcançar uma maioria absoluta na Câmara dos Comuns de 338 cadeiras. O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau fala a eleitores em Surrey, British Columbia, no domingo (20)
Reuters/Stephane Mahe
No último dia de uma tensa campanha, o primeiro-ministro Justin Trudeau e seu rival conservador Andrew Scheer queimaram neste domingo (20) os últimos cartuchos para convencer os muitos eleitores indecisos e evitar um governo minoritário no Canadá, como preveem as pesquisas.
Após 40 dias de confrontos, controvérsias e promessas eleitorais, os dois grandes partidos que se alternam no poder terminam a campanha como começaram: empatados nas intenções de votos, o que eleva o suspense na véspera da eleição.
"Precisamos de um governo progressista forte que una os canadenses e lute contra as mudanças climáticas, não uma oposição progressista", disse Trudeau durante um comício na periferia de Vancouver.
Liberais e conservadores têm entre 31% e 32% das preferências, de acordo com as últimas pesquisas, o que não lhes permitiria alcançar uma maioria absoluta na Câmara dos Comuns de 338 cadeiras.
Um governo minoritário seria obrigado a receber apoio oportuno de formações menores, como o partido dos Novos Democratas (NPD) de Jagmeet Singh, terceiro nas pesquisas (20%), ou os separatistas do Bloco de Quebec.
Coincidência ou não, os líderes dos quatro partidos terminam todas as suas campanhas no domingo na província da Colúmbia Britânica, onde fica Vancouver: Trudeau e Scheer, Singh e a líder dos verdes Elizabeth May participam de seus últimos comícios nesta região onde os verdes e neo-democratas ameaçam liberais.
"Trudeau mostrou claramente que está disposto a tudo para ficar no poder", afirmou Scheer no sábado em Toronto. O conservador acusa os liberais e o NPD de buscarem uma coalizão governamental que, segundo ele, aumentaria o déficit dos programas sociais defendidos pelo NPD.
Em Vancouver, precisamente, Scheer novamente acusou Trudeau de se apegar ao poder por meio de uma coalizão com o NPD, algo que tanto esse partido quanto os liberais negam.
"A alternativa é clara: ou um governo do NPD com a máscara de Trudeau, que aumentará impostos, destruirá empregos, enfraquecerá nossa economia e retirará mais dinheiro de você, ou um governo conservador de maioria que não gastará mais do que recebe e que injetará dinheiro no seu bolso", disse aos apoiadores em um comício.
Analistas dizem que no sistema parlamentar canadense é possível que um primeiro-ministro em fim de mandato permaneça no governo, mesmo que ele não obtenha a maioria dos votos, desde que obtenha o apoio de um ou mais partidos para que a Câmara vote a seu favor.
O líder dos conservadores do Canadá, Andrew Scheer, durante evento de campanha em Vancouver, no domingo (20)
Reuters/Carlos Osorio
Posição incômoda
Há alguns dias, os dois principais candidatos viajam pelo país com um objetivo comum: convidar os canadenses a dar-lhes uma maioria parlamentar para evitar a formação de um governo minoritário.
Trudeau reitera insistentemente seu pedido ao eleitorado para "olhar para frente" e que um retorno dos conservadores ao poder após quatro anos de gestão liberal resultará em cortes no orçamento e um enfraquecimento na luta contra as mudanças climáticas.
"Sabemos que a primeira coisa que Andrew Scheer fará (se eleito) será eliminar o único plano no Canadá para combater as mudanças climáticas", disse Trudeau em Ontário no sábado. Scheer prometeu suprimir a taxa de carbono instituída pelo primeiro-ministro liberal se assumir o governo.
Na perspectiva de um governo minoritário, os liberais estariam em uma posição melhor que os conservadores, tendo mais afinidade com o NPD do que seus rivais. O líder do NPD já disse que exclui qualquer tipo de aliança com Scheer.
Scheer, que não poupou críticas ao atual chefe de governo, muitas vezes tratando-o como um "mentiroso" e "hipócrita", se viu numa posição embaraçosa neste fim de semana.
Atingido no sábado por informações da imprensa sobre o envolvimento de seu partido no financiamento de uma campanha de difamação contra um pequeno partido rival, Scheer se recusou várias vezes confirmar ou negar a notícia, o que lhe rendeu críticas por sua falta de transparência.
Anteriormente já havia passado por momentos difíceis ao defender uma posição contrária ao direito ao aborto e sobre sua dupla cidadania canadense e americana.
Trudeau, já enfraquecido por acusações de ingerência política em um caso judicial, se viu também em dificuldades semanas atrás quando foram divulgadas imagens de quando era jovem com o rosto pintado de preto. O primeiro-ministro teve que ir a público para pedir desculpas por esses atos "inaceitáveis".