As manifestações começaram quando o governo propôs um imposto que incidiria nas chamadas feitas por aplicativos de mensagens; mas os atos, agora, reclamam da situação econômica e da política em geral. Saad al-Hariri, primeiro-ministro do Líbano, durante entrevista coletiva
Mohamed Azakir/Reuters
Saad al-Hariri, o primeiro-ministro do Líbano, disse nesta segunda-feira (21) que apoiará eleições parlamentares antecipadas, caso os manifestantes que têm feito atos no país as exijam.
Ele deu respostas aos protestos que têm acontecido em seu país que foram disparados quando seu governo propôs um novo imposto em aplicativos de mensagens.
Milhares de pessoas protestam no Líbano pelo quarto dia consecutivo
Após protestos, governo cede, mas população segue nas ruas do Líbano
Se dirigindo aos manifestantes, ele disse que não vai permitir que ninguém ameace ou os afugente. Afirmou também que prepara um orçamento que prevê redução do déficit fiscal no ano que vem com medidas como aumentar impostos que incidem em lucros dos bancos.
O governo tenta retomar o controle do país com a apresentação de um plano de reformas, uma tarefa árdua ante a irritação popular cada vez maior.
Panorâmica de manifestação em Beirute no dia 20 de outubro de 2019
Mohamed Azakir/Reuters
O movimento nasceu de forma espontânea na quinta-feira (17), após o anúncio de uma tarifa para as ligações feitas pelo aplicativo de mensagens WhatsApp. A medida foi cancelada por pressão das ruas.
Mas a irritação dos libaneses foi canalizada em seguida para a situação econômica e política em geral, em um país onde mais de 25% da população vive abaixo da linha da pobreza, segundo o Banco Mundial (BM).
Enquanto as ruas do Líbano registram protestos há cinco dias, o governo iniciou um conselho de ministros extraordinário, com a presença do primeiro-ministro Saad Hariri e do presidente Michel Aoun.
Reforma pode ser insuficiente
A imprensa libanesa afirma que o objetivo do Executivo é provocar um "choque", com a promessa de aprovar reformas, algo impossível até o momento pelas disputas e divisões políticas.
Nos últimos anos, o nível de vida dos libaneses piorou, com cortes frequentes do fornecimento de água e energia elétrica, 30 anos após o fim da guerra civil (1975-1990).
O jornal "L'Orient Le Jour" questiona se o plano, que prevê a princípio medidas concretas e rápidas, bastará para acalmar os manifestantes.
Protestos continuam
Desde o início da manhã, manifestantes bloquearam avenidas em todo o país. A convocação para os protestos foi feita em redes sociais.
Bancos, universidades e escolas ficaram fechados nesta segunda-feira (21).
No domingo (20), centenas de milhares de pessoas saíram às ruas para exigir uma mudança radical de um sistema político acusado de corrupção e clientelismo, em meio a uma grave crise econômica.
De Beirute até a cidade de maioria sunita de Trípoli, ao norte, passando pelas cidades xiitas do sul e as localidades drusas ou cristãs do leste, os libaneses demonstraram uma inédita unidade para criticar os políticos.
Aos gritos "revolução" ou o "o povo quer a queda do regime", milhares pessoas invadiram o centro da capital.

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